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Mochilão no Nordeste: de Salvador a Maragogi – Parte I

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Parte I

Um mochilão pelo nordeste foi uma das viagens mais bonitas que fiz no Brasil.

Praias tão extensas que não dá pra ver onde acabam, praias desertas com coqueiros enormes, areia extremamente branca e pessoas super receptivas e alegres. Simplesmente lindo!

Quem vem de uma cidade grande como São Paulo e está acostumado com serviços rápidos em restaurantes, bares e hotéis deve se preparar para entrar em outro mundo.

Aqui os relógios andam bem mais devagar e pode acontecer de você esperar uma hora para receber seu almoço.

Mas se você entra no clima “slow down”, e conseguir relaxar e aproveitar, conversando mais com as pessoas, você nem vê o tempo passar.

Afinal de contas, você está de férias né? Para que estresse então? 😉

Meu namorado Rodrigo e eu começamos nossa viagem em Salvador, uma cidade que amo e que sempre volto sem me cansar dela.

Além das atrações turísticas como a Cidade Alta (o centro histórico de Salvador) com o Pelourinho, o elevador Lacerda, o Farol da Barra, o Mercado Modelo  e vários museus sobre a história rica e especial da Bahia, você sempre encontra várias festinhas com música ao vivo na rua ou também em barzinhos e centros culturais.

Uma cidade que vibra de cultura e história! Para saber mais sobre Salvador, confere o post do Kiko.

Depois de alguns dias em Salvador, decidimos sair da cidade e ficar alguns dias numa praia. Como não tínhamos planejado nada para a viagem, perguntamos o dono do hostel que ficamos.

Ele era bem alternativo e super informado sobre praias não muito conhecidas. Ele deu a dica de Arembepe, onde tem uma aldeia Hippie, a primeira do Brasil,  fundada nos anos 70.

A aldeia ficou conhecida quando famosos como Janis Joplin, Mick Jagger, Roman Polansky, Gilberto Gil e Caetano Veloso passavam longas temporadas ao lado dos hippies que tinham construído casinhas de madeira logo atrás das dunas.

O lugar fica uns 40 minutos de Salvador pegando um ônibus urbano saindo do porto de Salvador.

Chegando em Arembepe, você tem que andar uns 2 quilômetros a pé até chegar na aldeia. As vezes tem uns mototaxis, mas não conte com isso.

A aldeia não tem eletricidade, nem água corrente. A maioria dos visitantes só vem para passar um dia e comprar artesanato. Quem quiser ficar alguns dias na vila, não vai achar pousadas do estilo que conhecemos.

Tem uma opção de alugar um quarto em uma casa onde também fica o único restaurante da aldeia. Nós decidimos ficar  acampados nas dunas. Como não tínhamos levado barraca, um hippie da aldeia nos emprestou uma barraca por alguns Reais.

Ficamos a 20 metros da água, no topo da duna, indo dormir com o pôr do sol e acordando com o sol nascendo, bem conectados com a natureza.

Como ali próximo tem um rio limpo se juntando com o mar, tinha como tomar banho também.

Na verdade foi uma das partes mais divertidas, pois a vila é muito vazia, tem pouquíssima gente e você pode tomar seu banho tranquilo sem medo de ser observado.

Amamos o lugar e só fomos embora porque ficar dormindo na areia estava causando alguns problemas nas costas. Recomendo uma estadia na aldeia para pessoas que gostam da natureza selvagem e muuuita paz!

Saindo de Arembepe, fomos para a Praia do Forte. A Praia do Forte é um lugar bem turístico, com infraestrutura boa, lojinhas, restaurantes, até uma linda igreja antiga.

As praias de lá são maravilhosas, com uma mata cheia de coqueiros. Vale a pena visitar o Projeto Tamar. Ficando em um dos hostels da região, você tem desconto na entrada.

Para quem não conhece o Tamar: o projeto se dedica a proteção do ecossistema marinho. Dentro do pequeno museu do projeto você vai ver tartarugas de todos os tamanhos. Especialmente para quem viaja com crianças, esse passeio vale muito a pena.

Bem perto da Praia do Forte, subindo a estrada verde (uma estrada surpreendentemente boa e reformada), encontra-se a vila Imbassai, uma outra praia linda com vários restaurantes e barzinhos aconchegantes.

É bem mais tranquilo que a Praia do Forte, mas também cheio de turistas. Achamos as pousadas bem caras, mas tivemos sorte de conseguir um quarto no Eco Hostel Lujimba, que fica um pouco mais afastado da vila e da praia, mas no meio do verde.

A água quente e a energia são gerados por placas solares. O dono do hostel é argentino, casado com uma brasileira. Ele nos recebeu super bem e nos deu várias dicas sobre praias e passeios na região.

Imbassaí é um lugar para relaxar, tomar uma cervejinha, ler um livro na praia ou nas várias redes do hostel.

Nosso próximo destino foi Mangue Seco. Mangue Seco é a última praia da Bahia antes de atravessar a fronteira para o estado de Sergipe. O lugar ficou bem famoso quando virou cenário da novela Tieta.

Para chegar na vila de pescadores é necessário pegar uma balsa. Tente chegar cedo de manhã quando tem outras pessoas querendo atravessar, assim você vai poder dividir o preço da balsa com outros turistas.

Nós chegamos de tarde e esperamos mais de uma hora para poder dividir a balsa com uma outra família. Chegando lá, procuramos uma pousada.

O bom do nordeste é que sempre dá para negociar preços, mesmo em pleno Janeiro, época de alta temporada. Conseguimos um quarto com varandinha e rede olhando para o rio por um preço bem bacana. Mangue Seco é um lugar surreal de tão lindo.

A vila é construída em cima de dunas. Subindo a duna mais alta, de um lado dá para ver o rio juntar com o mar e do outro a vila numa luz maravilhosa na hora do pôr do sol.

Andamos só descalços na vila, pois asfalto não tem, nem carro, as ruas são todas de areia. Vale muito a pena ficar mais de uma semana para conhecer os moradores e relaxar bastante.

Para sair de Mangue Seco é bem mais fácil do que chegar lá, pois os barquinhos ficam na beira do Rio esperando por clientes. Mesmo com chuva forte eles vão te levar para o outro lado do rio.

Depois da separação muito difícil desse lugar maravilhoso, continuamos nossa viagem subindo a costa, passando por AracajuMaceióPraia do Francês e Maragogi!

Confira aqui a segunda parte do mochilão!

Dunas no Mangue Seco