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10 Experiências que Você Não Pode Ignorar ao Visitar Belo Horizonte

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Eu demorei muito para escrever um post sobre a minha cidade natal. Talvez porque sempre fiquei com aquela sensação de que “Ah, tô sempre aqui, posso escrever a qualquer hora”.

Mas eis que percebi que falo sobre diversos lugares aqui no site e sobre a minha cidade mesmo, não dava dicas para ninguém. Agora chega desse “trem” de  “Em casa de ferreiro, o espeto é de pau”.

Vem comigo colocar os pés em BH!

Apesar de ser uma das maiores cidades do Brasil, com 5 milhões de habitantes contanto com a área metropolitana, Belo Horizonte não é o primeiro destino turístico que passa na cabeça dos viajantes brasileiros.

No entanto, a nossa Beagá, como carinhosamente chamamos a cidade, é um lugar muito vivo, cheio de eventos, cultura, hospitalidade e excelente gastronomia. Além de, claro, ser a Capital Mundial dos Botecos.

Separei alguns pontos turísticos típicos, aqueles em que todo mundo deve dar um espiadinha pra dizer que realmente viu tudo da cidade, mas também inclui alguns pontos que só os locais conhecem e que transmitem a alma do Belo Horizontino inteiramente.

1 . Comer no Mercado Central

Passear no Mercado Central em si já é uma experiência interessante, pois eu já visitei 30 países e nunca vi um mercado como esse, com tanta diversidade.

E olha que já vi mercados bem legais como o Mercadão de São Paulo, o Mercado de São Miguel em Madrid, o Grand Bazar em Istanbul, o Mercado municipal em Santiago, o Mercado de peixes em Puerto Montt na patagônia chilena, mas esse é especial.

Talvez porque seja o único que reúne tanta diversidade em um só lugar. Passeando por lá é possível encontrar desde temperos e ervas, até bichos de estimação, passando por flores, frutas, itens de decoração, artesanato, roupas, acessórios de cozinha, itens para festas, bares, restaurantes e até uma agência de viagens.

O mercado é bem simples, fica no centro da cidade, mas se você quiser comer algo bem mineirinho num ambiente legal, vá ao restaurante “Casa Cheia” e peça “almondegas exóticas” ou o “mexidão”, que vem numa frigideirinha super charmosa.

É possível agendar uma visita guiada no Mercado, de 2ª a Sábado: 9 às 17hs e Domingos e Feriados: 09 às 13hs

2. “Subir Bahia e Descer Floresta”

Se você quiser conhecer a parte histórica de BH, onde tudo começou, esse é um roteiro interessante. Comece lá pelo pirulito da Praça Sete, o marco zero da cidade.

Ali a cidade literalmente vive o caos. Milhares de pessoas e carros passam por ali todos os dias, disputando espaço com os vendedores ambulantes e os velhinhos que jogam xadrez.

É nesse furdunço que fica o recém inaugurado Cine Theatro Brasil Vallourec, um prédio de 1932, que funcionava como cinema até 1999 quando foi fechado.

A construção no estilo art decó foi reinaugurada em 2013, abrigando um centro cultural com sala de cinema, teatro, galerias e um café bistrô.

De lá, dê uma andada na Av. Afonso Pena e faça um “pit stop” na Igreja São José, que foi restaurada, mas desde 1904 foi palco de diversos momentos históricos. São 1.500 pessoas diariamente visitando suas instalaçōes e no fim de semana esse número chega a 5mil!

Seu estilo é o neomanuelito mas, por muitos anos os fiéis não conheceram suas cores originais. A igreja foi pintada muitas vezes de tons pálidos, retornando ao colorido original somente na reforma que terminou em 2015!

Igreja São José em Belo Horizonte

Em seguida, é hora de subir a Rua da Bahia, uma das principais ruas do centro de Belo Horizonte. Não deixe de visitar o Centro de Referência da Moda (CRM) que fica num edifício que se destaca de longe, visto que tem o formato de uma igreja ou um castelinho.

O prédio é tombado pelo IEPHA e expõe seu acervo riquíssimo em vestidos de época, roupas de gala, chapéus, etc. Bem pertinho fica o Museu Inimá de Paula, que também foi um cinema anteriormente e hoje exibe mostras temporárias de artistas renomados e novos talentos.

Em frente ao CRM, fica o Edifício Maletta, um dos lugares mais antigos da cidade e referência na night alternativa de BH.

Subindo mais um pouquinho na Rua da Bahia, você verá o monumento que diz “A minha vida é essa, subir Bahia e descer Floresta” em homenagem a Rômulo Paes, cronista mineiro. “Floresta” é um bairro tradicional de Belo Horizonte, o qual o cronista faz referencia.

3. Visitar a Praça da Liberdade e seu Complexo Cultural

 Continuando a subir a Rua da Bahia, ao final dela, você encontrará a Praça da Liberdade, um dos cartões postais da cidade e que antigamente abrigava os órgãos administrativos do Estado.

Atualmente, as secretarias e o governador ficam na “Cidade Administrativa”, próximo ao aeroporto de Confins, e os prédios da praça da Liberdade se tornaram centros culturais, criando o “Circuito Cultural Praça da Liberdade”.

Nesse cenário você poderá encontrar o escritório de informações turísticas, a Biblioteca Pública, o Centro de Arte Popular, o Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, o Espaço do Conhecimento UFMG, o Memorial Minas Gerais, o Museu das Minas e Metais, entre outros.

Baixe o app no seu celular que direciona os visitantes para cada atração e conta um pouco da história de cada um deles. Nós adoramos a visita ao Palácio da Liberdade, mas ele só fica aberto aos sábados e domingos de 10h às 15h.

4. Visitar a Feira Hippie e o Parque Municipal

Todo domingo a Av. Afonso Pena, uma das mais movimentadas da cidade, tem uma parte fechada para receber a famosa Feira Hippie, que na verdade de hippie não tem mais nada e por isso se chama “Feira de Artes, Artesanatos e Produtores de Variedades”.

A Feira Hippie começou na Praça da Liberdade, com poucos artistas que se reuniam pra vender seus artesanatos. Com o tempo, a procura foi aumentando, mais artistas queriam vender seus produtos e a praça não comportava mais o movimento intenso.

Em 1991 a feira foi transferida para a Av. Afonso Pena, onde acontece até hoje com mais de 2.500 expositores. Os feirantes chegam de madrugada para montar as barracas e a partir das 06h já é possível encontrar turistas no local.

Para poder andar por toda a feira, aconselhamos que se vá cedo, quando o sol não está tão forte e a feira está mais vazia. A partir das 09h o lugar já fica bem cheio e é importante ficar de olho nas bolsas no meio da multidão, pois acontecem muitos casos de “sumiços” de carteiras e celulares.

Na imensidão de barraquinhas é possível encontrar roupas, roupas de bebê, sapatos, bolsas, bijuterias, móveis para casa, comida, quadros e objetos de arte, artesanato, brinquedos, tapeçaria e até mesmo apresentações artísticas como capoeira e forró.

Ao longo da feira, fica o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, que fica no meio da cidade com mais de 50 espécies de árvores diferentes.

Se você viaja com crianças, esse é um ótimo lugar para passear com elas, pois o lugar abriga, além da natureza, um parque de diversões pra criançada e um teatro.

Fica aberto de terça à domingo de 06h às 18h.

Parque Municipal Renné Giannetti

6. Visitar a Praça do Papa, o Mirante e a Rua do Amendoim

Saindo um pouco do centro, vale visitar a região do bairro Mangabeiras em Belo Horizonte, onde fica a Praça Israel Pinheiro, que todo mundo chama de Praça do Papa.

O lugar ganhou esse nome depois que o Papa João Paulo II veio a Beagá e celebrou uma missa de lá, em 1980. Depois desse dia, foi erguida uma enorme cruz na praça e ela perdeu seu nome original.

Mas o mais legal desse lugar é a vista que se tem da cidade. Dá pra ver a cidade toda, pois esse bairro é bem alto, fica no pé da serra. Por ser um bairro nobre, você vai observar também muitos casarões, mansões, coisa fina.

Depois da praça vale seguir até o Mirante do Mangabeiras, de onde se tem uma visão ainda mais legal de toda a cidade, podendo enxergar até a Pampulha, que fica do outro lado de BH.

O mirante fica na Rua Pedro José Pardo, número 1.000, mas é bem fácil de achar pois é bem sinalizado. Funciona todos os dias de 10h às 22h e não se pode entrar lá de carro, é permitido apenas para idosos e portadores de necessidades especiais.

Voltando do mirante, dê uma paradinha na Rua do Amendoim (Rua Professor Otávio Coelho Magalhães, número 910) que tem uma curiosidade muito legal.

Ao desligar o motor do carro no início da rua, que é uma subidinha, o carro continua subindo, misteriosamente. Vale a pena conferir!

Mirante em Belo Horizonte

Mirante em Belo Horizonte

Praça do Papa BH

Praça do Papa BH

7. Visitar o Complexo Arquitetônico da Pampulha

O complexo arquitetônico da Pampulha merece um dia só pra ele. Afinal, é muita coisa pra ver e fica bem afastado do centro da cidade. A Lagoa em si já é um atrativo.

A gente adora andar de bicicleta por lá, nos finais de semana. É possível alugar bikes por lá também, viu? Além das bikes, tem muita gente se exercitando em volta da lagoa. Vale uma caminhada.

Paradas importantes ao redor da Lagoa da Pampulha: A Igrejinha São Francisco de Assis, que é o cartão postal de BH, o MAP – Museu de Arte da Pampulha, a Casa do Baile, centro cultural e o Iate Clube.

Todos esses foram projetados pelo arquiteto Oscar Niemayer, transformando o complexo arquitetônico. A Prefeitura de Belo Horizonte disponibiliza um roteiro para quem quiser fazer um tour arquitetônico em BH.

Museu de Arte da Pampulha

O Museu de Arte da Pampulha – MAP foi criado inicialmente para ser um cassino, na década de 40. Projetado por Oscar Niemayer a pedido de Juscelino Kubitscheck, hoje o casarão abriga um acervo artístico riquíssimo! Aberto de 3ª a dom. das 9h às 19h.

8. Assistir um Jogo no Mineirão ou no Independência

Uma experiência incrível de se viver em Belo Horizonte é assistir um jogo no Mineirão (Estádio Governador Magalhães Pinto), o gigante da Pampulha.

Agora que ele está todo reformado por conta dos jogos da Copa do Mundo, dá ainda mais gosto de ir nesse estádio.

Informe-se se haverá algum jogo importante na época da sua visita e no intervalo aja como um mineirinho: coma o tradicional feijão tropeiro do Mineirão!

Caso não tenha nenhum jogo na época da sua visita, faça o tour do estádio, que além de mostrar o campo, ainda dá acesso ao museu que conta a história do estádio.

O horário de funcionamento é de 3ª a 6ª das 9h às 17h, sáb. e dom. das 9h às 13h. A Esplanada do Mineirão pode ser visitada todos os dias de 07h às 21h, com entrada gratuita (verifique antes se não tem nenhum evento no estádio como shows ou exposições).

O estádio Independência, (teoricamente chamado de estádio Raimundo Sampaio) fica no bairro Horto, do outro lado da cidade. Foi construído na década de 40 e reformado em 2010.

Pertence ao time América, mas é muito usado para os jogos do Atlético Mineiro. Depois que o Atlético jogou no estádio 83 vezes, ganhando em 59, empatando 21 vezes e perdendo apenas em 3 partidas, o estádio ganhou o lema “Caiu no Horto, Tá Morto“.

Complexo da Pampulha

Complexo da Pampulha

Estádio Mineirão

Estádio Mineirão

Estádio Independência

Estádio Independência

9. Comer Uma Boa Comida Mineira

A comida mineira é conhecida por todo o Brasil por seus quitutes saborosos e gordos. Dizem por ai que o mineiro se tornou famoso foi pela comida, e modéstia a parte, é uma das culinárias mais ricas desse país.

Se você gosta de provar sabores típicos, não pode deixar de experimentar o feijão tropeiro, o frango com quiabo, qualquer prato que tenha ora-pro-nóbis (uma folhinha verde muito nutritiva), frango ao molho pardo, tutu, torresmo e um legítimo pão de queijo, claro!

Existem diversos restaurantes de comida mineira em BH que vão te deixar com água na boca, mas elegemos aqui nossos preferidos:

Maria das Tranças ($$)

Maria das Tranças existe desde 1950, mas nessa época ainda se chamava “Bolero”. Uma curiosidade é que esse restaurante tinha um frequentador ilustre e assíduo: Juscelino Kubitscheck. Inclusive, diversas fotos do político são expostas no local.

A especialidade da casa é o “Frango ao molho pardo”, que antigamente era preparado com as aves do quintal da fazenda e agora ganhou fama em todo o Brasil. O estabelecimento hoje tem duas unidades em Belo Horizonte, uma no bairro São Francisco e outra na Savassi.

Sugestão: experimente o pastel de angu, especialidade mineira!

Pastel de Angu - Maria das Tranças

Endereços: Unidade 1 – Rua Estoril, 938, São Francisco. | Unidade 2 – Rua Professor Moraes, 158, Savassi.

Horários: São Francisco – Segunda à Sábado: 11 às 22:00 e Domingo: 11 às 18h | Savassi
Segunda-feira 11 às 17:00, Terça a Quarta-Feira: 11:00-01:00, Quinta-Feira: 11:00-00:00, Sexta-Feira e Sábado: 11:00-01:00, Domingo: 11:00-00:00

Xapuri ($$)

Em funcionamento desde 1987, o Xapuri é um dos restaurantes tradicionais da região da Pampulha. O ambiente parece uma fazenda, bem rústico, com muito verde, atrações para crianças e até uma hípica.

Eles possuem sua própria fábrica de linguiças e de doces, além de uma lojinha de artesanato.

Rua Mandacaru, 260 – próximo ao Zoológico na Pampulha. (31) 3496-6198 || Terça à sábado de 12:00 às 23:00 e Domingo e feriados de 12:00 às 18:00

Comida Mineira - Xarupi

Faz de Conta ($$$)

O restaurante Faz de Conta é para quem gosta de comer sem miséria. Com um ambiente que comporta até 560 pessoas, o restaurante trabalha no esquema de buffet livre, você paga R$58,90 por pessoa e come à vontade.

Eles também fabricam a própria linguiça e defumam.

Rua Toronto, 1465 – Saída na BR 040 (BH-Rio) Km 548 – Jardim Canadá – Nova Lima – MG – Segunda à sexta de 11h às 15h – Sábado, domingo e feriado de 11h30 às 17h – (31) 3547-2755 / 3541-8959 / 8684-2824

Frango Mineiro - Faz de Conta

Chalé Mineiro ($)

O Chalé Mineiro é um restaurante também no estilo rústico mas, um pouco mais simples que os dois citados acima.

No entanto, ele fica mais próximo do centro (tem 4 unidades) e trabalha no esquema de self service, onde se paga por quilo. Lá também é possível encontrar todo tipo de comida mineira e doces.

Av. Barbacena 252, Tel (31) 3295-2223 || Rua Tomé de Souza, 1121 – Savassi || Avenida Francisco Sá, 605 – Prado e Av. Silva Lobo, 1000 – Barroca || Horário de funcionamento: Segunda a sexta, das 11h as 14h30 e Sábado, domingo e feriado, das 11h às 16h.

Restaurante Chalé Mineiro

10. “Botecar”

Estando na Capital Mundial dos Botecos, uma coisa que você não pode deixar de fazer é “botecar”, isto é, ir à um barzinho, jogar conversa fora, tomar cerveja e comer tira-gostos.

Como temos um bar a cada esquina (pelo menos!), não vai ser difícil encontrar um lugar legal, mas queria destacar três áreas que tem muitos bares legais e com certeza você sairá de BH com uma boa impressão!

Para os mais alternativos, a sugestão é ir para o bairro de Santa Tereza, região Boêmia da cidade, onde ficam bares mais “cults”, que atraem artistas locais e é onde teve inicio o Clube da Esquina, o Sepultura e o Skank.

Sugiro ir até o miolo da Rua Bocaiúva, onde ficam vários bares legais e descolados. É em Santa Tereza que fica o Bolão, um dos restaurantes mais famosos da cidade por ficar aberto 24horas e ser parada obrigatória no final da balada, para recarregar as energias com o Prato Feito “Rochedão” ou seu tradicional macarrão.

Savassi é outra região que atrai muita gente atrás de uma noite divertida. Com muitas opções de bares de vários estilos, basta dar uma passeada na região para encontrar botecos de todos os gostos, desde estilosos como a Cervejaria Devassa até os que deixam as mesinhas na rua como o “Bar do João”.

No Lourdes, os bares são mais refinados, afinal essa é uma das regiões mais caras da cidade para se morar.

No entanto, os bares não são tão mais caros por isso. Indico o Albanos, onde se pode tomar um bom chopp e comer petiscos deliciosos por um bom custo-benefício e o Ti Zé, que tem calçadas na rua e fica muito cheio nos finais de semana a tarde.

Acho que daria para escrever um livro com os meus locais preferidos, mas com essas dicas vocês vão passar um bom tempo na minha querida Beagá.

Você já veio à Belo Horizonte ou mora na cidade e gostaria de indicar algum outro lugar ou passeio?